O Brasil voltou a registrar números alarmantes de violência contra a mulher em 2026. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que 399 mulheres foram vítimas de feminicídio entre janeiro e março deste ano.
Na prática, uma mulher foi assassinada por razões de gênero a cada 5 horas e 25 minutos no país durante o primeiro trimestre. O resultado representa um aumento de 7,55% em relação ao mesmo período de 2025 e é o maior índice para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2015.
Há onze anos, o país contabilizava 125 vítimas nos três primeiros meses do ano. Hoje, esse número mais do que triplicou, evidenciando o avanço desse tipo de crime. Os dados são do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), alimentado pelas secretarias estaduais de segurança pública, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.
Janeiro foi o mês mais violento do trimestre, com 142 feminicídios registrados. Fevereiro contabilizou 123 casos e março voltou a apresentar alta, com 134 vítimas. Em números absolutos, São Paulo lidera o ranking nacional, com 86 casos, seguido por Minas Gerais, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul.
Mato Grosso já soma 23 casos de feminicídio em 2026, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Só no mês de junho, o levantamento aponta cinco mortes classificadas como feminicídio.
O crescimento contínuo dos feminicídios reacende o debate sobre a eficácia da legislação brasileira no combate à violência contra as mulheres. Especialistas defendem o fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção às vítimas, investigação qualificada e responsabilização dos autores. No cenário político, o tema também passou a ocupar espaço nas discussões sobre segurança pública e reforma das leis penais.
O pré-candidato ao Senado por Mato Grosso, Nelson Ferreira, afirmou que pretende defender mudanças profundas na legislação brasileira.
Segundo Nelson Ferreira, o país precisa discutir uma nova Constituição que endureça as punições para crimes considerados hediondos. Entre suas propostas está a implantação da prisão perpétua para condenados por feminicídio, por meio de mudanças constitucionais. O pré-candidato argumenta que as penas atualmente previstas não têm sido suficientes para conter o avanço desse tipo de violência.
Conhecido por apoiadores como “Bukele do Mato Grosso”, Nelson Ferreira afirma que pretende priorizar projetos voltados ao combate à criminalidade e à proteção das mulheres.
“Se não mudarmos as leis agora, as mulheres continuarão a morrer no nosso país, e infelizmente nada será feito se continuar tudo como está”, declarou o pré-candidato.
Nelson Ferreira sustenta que o Brasil precisa promover uma ampla reforma do sistema penal para aumentar a sensação de justiça e reduzir a reincidência em crimes graves.
A proposta de adoção da prisão perpétua exigiria uma alteração da Constituição Federal, que atualmente não admite esse tipo de pena, salvo a hipótese de prisão perpétua prevista em tratados e tribunais internacionais em situações específicas que não se aplicam ao direito penal comum brasileiro. O debate sobre o endurecimento das penas costuma dividir juristas, especialistas em segurança pública e parlamentares.
Enquanto alguns defendem penas mais severas como forma de prevenção e punição, outros argumentam que a redução da violência também depende do fortalecimento das políticas públicas de proteção, educação, prevenção e fiscalização. Independentemente das divergências sobre as soluções, os números registrados em 2026 reforçam a gravidade do problema e a urgência de medidas capazes de reduzir a violência contra as mulheres em todo o país.
Com quase quatrocentas vítimas apenas nos três primeiros meses do ano, o feminicídio permanece entre os maiores desafios da segurança pública brasileira e deve continuar no centro do debate nacional.