O ex atleta Olímpico e Prof. Nelson Ferreira Pré-candidato ao Senado pelo Partido Agir 36 “ defende mudanças estruturais para garantir que os recursos cheguem aos municípios, ampliar a formação de talentos e transformar o Brasil em potência esportiva sustentável “.
O Brasil é reconhecido mundialmente por revelar atletas de alto nível, principalmente no futebol. No entanto, os últimos resultados obtidos em Copas do Mundo revelam outra realidade: “milhares de jovens talentos abandonam precocemente o esporte por falta de apoio, estrutura e oportunidades e na sua grande maioria nem chegam a serem descobertos/captados”.
Dados apontam que aproximadamente 39% dos atletas em formação precisam trabalhar ainda na adolescência para ajudar no sustento da família, interrompendo sonhos que poderiam resultar em medalhas olímpicas, títulos mundiais e carreiras profissionais. A realidade expõe um dos maiores desafios do esporte brasileiro: “a ausência de políticas públicas integradas que garantam condições mínimas para que crianças e adolescentes permaneçam treinando”.

Embora programas como o Bolsa Atleta e a Lei de Incentivo ao Esporte representem importantes instrumentos de apoio, especialistas avaliam que eles ainda não conseguem atender toda a demanda nem integrar de forma eficiente municípios, estados, federações e governo federal, pois beneficiam o esportista somente depois de grandes conquistas, “e para chegar lá , quem vai apoiar?”
Para muitos profissionais da área esportiva, a mudança começa pela descentralização dos investimentos.
Uma das propostas defendidas é a criação de uma legislação que determine que parte dos recursos federais destinados ao esporte seja transferida diretamente para as Secretarias Municipais de Esportes. A medida permitiria que cada município desenvolvesse seus próprios programas permanentes de iniciação esportiva, identificando talentos locais e oferecendo acompanhamento técnico desde a infância.
Hoje, muitos municípios possuem quadras, campos e ginásios, “mas carecem de recursos para contratar profissionais, adquirir equipamentos e manter programas contínuos de treinamento”. O resultado é que inúmeros jovens promissores acabam abandonando o esporte antes mesmo de serem observados por clubes ou federações.
Outro ponto considerado essencial é a profissionalização da gestão esportiva nacional.
Especialistas defendem que federações e entidades esportivas passem por um processo de modernização administrativa, substituindo práticas consideradas burocráticas e excessivamente cartoriais por modelos de governança baseados em critérios técnicos, transparência financeira, prestação de contas e planejamento estratégico.
A identificação de talentos também pode começar muito antes.
Uma proposta crescente é integrar a educação física escolar aos clubes, associações e projetos esportivos municipais. Professores das escolas públicas poderiam atuar em parceria com treinadores locais para identificar precocemente jovens com potencial esportivo, especialmente nas periferias urbanas e nas cidades do interior, onde muitas vezes surgem grandes talentos que permanecem invisíveis ao sistema esportivo nacional.
O fortalecimento da ciência aplicada ao esporte representa outro caminho apontado para elevar o desempenho brasileiro.
Universidades públicas e centros de pesquisa poderiam atuar diretamente com atletas de base e de alto rendimento, oferecendo avaliações biomecânicas, fisiológicas, nutricionais e psicológicas. Além de otimizar o desempenho, essa integração contribuiria para reduzir lesões, prolongar carreiras e tornar os treinamentos mais eficientes.
O financiamento privado também aparece como uma das prioridades para impulsionar o esporte nacional.
Especialistas defendem incentivos fiscais mais simples, diretos e menos burocráticos para que empresas de médio porte possam investir de forma permanente em atletas, clubes e projetos esportivos, tanto no futebol quanto nas modalidades olímpicas e paralímpicas. Atualmente, muitas empresas deixam de investir devido à complexidade dos processos administrativos.
Os números demonstram a importância econômica do setor.
O esporte movimenta mais de R$ 183 bilhões por ano, representando aproximadamente 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Apesar dessa relevância econômica, o país ainda convive com desigualdades estruturais na formação de atletas e na distribuição dos investimentos.
Para o Prof. Nelson Ferreira, o Brasil possui população, diversidade física, tradição esportiva e potencial humano suficientes para disputar liderança mundial em diversas modalidades e se tornar uma Potência Olímpica. Entretanto, transformar esse potencial em resultados consistentes exige planejamento de longo prazo, continuidade administrativa e políticas públicas permanentes.
O futuro do esporte brasileiro passa necessariamente pela valorização da base. Investir nas crianças, fortalecer os municípios, integrar escolas, universidades, clubes e federações, profissionalizar a gestão e ampliar as oportunidades para jovens atletas são medidas que podem redefinir o papel do Brasil no cenário esportivo internacional nas próximas décadas.
Mais do que conquistar medalhas, fortalecer o esporte de base significa promover inclusão social, educação, saúde, geração de empregos e desenvolvimento humano. Para muitos especialistas, essa é a verdadeira virada de jogo que o país precisa construir.